Traições partidárias e pragmatismo redesenham a eleição em MT
Candidatos e prefeitos ignoram diretrizes estatutárias e priorizam projetos pessoais no pleito deste ano.
O processo eleitoral em Mato Grosso tem sido marcado por profundas contradições e um avanço inédito da infidelidade partidária entre as principais legendas. O esvaziamento ideológico e a busca por sobrevivência política transformaram os partidos em meros instrumentos formais para o registro de candidaturas, gerando um cenário de desgaste na relação com o eleitorado local.
Entre as situações mais evidentes estão as escolhas de prefeitos do PL que declararam suporte ao candidato ao governo Otaviano Pivetta, do Republicanos, deixando de lado o correligionário Wellington Fagundes. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e gestores municipais como Flávia Moretti, em Várzea Grande, além de Sérgio Machnic e Cláudio Ferreira, integram o grupo que prioriza projetos locais e alianças de conveniência.
As divergências também alcançam o pleito para o Senado Federal, onde o deputado federal José Medeiros atua de forma desalinhada com a própria chapa. No mesmo bloco de contradições, alianças antes improváveis se concretizaram, unindo figuras como a deputada estadual Janaina Riva e o deputado federal Fábio Garcia, assim como a aproximação da estreante Virginia Mendes com antigos opositores políticos no estado.
Nas chapas proporcionais, a desobediência às regras estatutárias ganhou força com movimentações como a do ex-deputado Gilmar Fabris, que priorizou a presença de aliados externos em detrimento de nomes da própria sigla. O enfraquecimento das diretrizes partidárias consolida uma cultura de arranjos de ocasião, transferindo para as urnas a responsabilidade de julgar a postura dos agentes públicos.
Especialistas e observadores apontam que esse panorama de infidelidade sistemática aprofunda o descrédito da classe política perante a sociedade. Enquanto os acordos de bastidores continuam ditando o ritmo da campanha nas diferentes regiões do estado, o eleitor observa um cenário onde a lealdade às legendas foi totalmente substituída pelo pragmatismo eleitoral.















