Obras da FICO em MT: Infra S.A. protocolou plano da TI Parabubure
A estatal avançou nas condicionantes socioambientais da Ferrovia de Integração Centro-Oeste com a aprovação das comunidades indígenas em Mato Grosso.
A Infra S.A. protocolou na Fundação Nacional dos Povos Indígenas o Plano Básico Ambiental do Componente Indígena da Terra Indígena Parabubure, localizada no estado de Mato Grosso. O documento, aprovado pelas comunidades locais, representa o quarto plano entregue dos cinco previstos para a área de influência da Ferrovia de Integração Centro-Oeste.
O avanço ocorreu após uma série de consultas, reuniões e assembleias realizadas diretamente com os moradores. As tratativas fazem parte das exigências para a continuidade da implantação da ferrovia no trecho que se estende por aproximadamente 80 quilômetros entre o Córrego Molha Mala e o município de Água Boa.
O diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, avaliou que a entrega do documento demonstra a relevância do diálogo contínuo com os povos tradicionais. “A entrega desse quarto PBA-CI mostra que a ferrovia avança porque o diálogo entre o poder público e as aldeias é permanente e verdadeiro. Não existe projeto sustentável construído à revelia dos territórios tradicionais. Quando priorizamos a escuta direta e a pactuação, encontramos caminhos que garantem segurança jurídica aos investimentos e respeito aos direitos indígenas”, destacou.
O diretor de Empreendimentos da estatal, André Ludolfo, pontuou que o protocolo contempla medidas de mitigação e compensação de impactos, mas esclareceu que a etapa ainda não autoriza a retomada das obras. “É um avanço muito importante, mas ainda não representa a liberação das obras. Temos etapas técnicas e institucionais a cumprir e uma terra indígena que ainda precisa concluir suas tratativas. O que celebramos hoje, portanto, é um passo decisivo para o cumprimento das condicionantes e para que possamos avançar na implantação da FICO até Água Boa”, afirmou.
A elaboração do plano contou com a participação de caciques e lideranças Xavante nas aldeias, com foco em prioridades como saúde comunitária, transporte para o escoamento agrícola e segurança territorial. O cacique Geninho Tseredzapriwe Tsibo’ooprê ressaltou a importância da participação ativa no processo de negociação. “Durante muito tempo, não fomos ouvidos de forma transparente e presencial. Hoje, estamos construindo esse diálogo com clareza, pensando não apenas no presente, mas no futuro do nosso povo. O que estamos discutindo pode trazer melhorias para as comunidades e, principalmente, para as novas gerações”, declarou.
O cacique Arnaldo Tsererõwe, da Aldeia Dzépa, também comentou os acordos firmados durante as reuniões. “O nosso povo não é contra a ferrovia nor contra o progresso. A Infra S.A. foi até a aldeia, sentou com as lideranças, ouviu nossas demandas e colocou os compromissos no papel, dando mais segurança de que aquilo que foi acordado será cumprido. Queremos que a ferrovia traga melhorias para o povo Xavante, para nossos filhos e para os nossos anciãos, com ações concretas para a saúde, a produção nas aldeias e a proteção do território”, disse.
Com quatro documentos formalizados, a estatal agora concentra esforços na conclusão das tratativas com a Terra Indígena Areões, que encerra o ciclo dos cinco territórios previstos. A agenda institucional em Brasília também envolveu uma reunião na Secretaria de Saúde Indígena para debater demandas levantadas pelas lideranças Xavante.















