Escassez de vacinas contra clostridioses desafia pecuaristas em MT
Setor produtivo alerta para riscos sanitários e disparada nos preços dos imunizantes veterinários essenciais para o rebanho estadual.
O Ministério da Agricultura e Pecuária informou a disponibilização de 9.983.660 doses de vacinas voltadas ao combate de clostridioses no território nacional ao longo de agosto de 2026. Desse montante divulgado, a maior parte veio de fora do país, totalizando 7.304.740 unidades importadas, o que representa 73,16% do total, enquanto a produção interna respondeu por apenas 2.678.920 doses. A pasta federal pontuou que dialoga continuamente com o setor industrial para fomentar a fabricação, facilitar trâmites de importação e dar celeridade aos processos alfandegários visando normalizar a distribuição.
Apesar do volume expressivo divulgado pelas autoridades federais, o cenário cotidiano nas propriedades rurais de Mato Grosso permanece alarmante. Associações representativas e entidades do agronegócio estadual destacam que a escassez de imunizantes persiste como um problema crítico desde o mês de abril. O apagão na fabricação por parte de indústrias nacionais coincidiu com um momento nevrálgico para a pecuária regional, marcado pela desmama de bezerros, início dos confinamentos e o período mais seco do ano, gerando uma demanda reprimida que as revendas não conseguem atender.
A continuidade desse desabastecimento coloca sob risco direto a sanidade do maior rebanho bovino brasileiro, localizado no estado e estimado em mais de 34 milhões de animais. As clostridioses reúnem patologias de alta letalidade e evolução rápida, como botulismo, tétano, carbúnculo sintomático e gangrena gasosa, capazes de provocar a morte súbita dos exemplares afetados. Com falhas no cumprimento das obrigações do calendário sanitário devido à ausência do produto nas prateleiras, o temor de surtos sanitários e perdas econômicas nas fazendas aumentou consideravelmente.
Além do perigo iminente de mortalidade nos pastos, os criadores enfrentam forte pressão inflacionária no custo dos insumos. Relatórios técnicos apontam que a restrição na oferta provocou uma escalada expressiva nos valores cobrados pelas doses ainda disponíveis no comércio agropecuário regional. Diante disso, o setor produtivo cobra ações mais enérgicas tanto do governo federal quanto do órgão estadual de defesa sanitária, exigindo que os anúncios de grandes volumes se traduzam em distribuição igualitária e preços acessíveis em todas as regiões.















