Canetas emagrecedoras no SUS geram esperança e dúvidas em MT

Estudo do governo federal avalia incluir medicamentos para obesidade na rede pública, mas especialistas cobram políticas de prevenção.

Por Redação • 03/10/2026 07:00 • 1 acessos
Canetas emagrecedoras no SUS geram esperança e dúvidas em MT

A discussão sobre a distribuição gratuita de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde ganhou força após o Ministério da Saúde encaminhar à Conitec um pedido de avaliação para incorporar os agonistas de GLP-1 na rede pública. Em Mato Grosso, onde o percentual de adultos com obesidade acompanhados pelo SUS saltou de 17,16% em 2008 para 37,59% em 2025, a proposta impacta diretamente mais de 221 mil cidadãos. A estimativa inicial do governo federal aponta para um orçamento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão por ano, com perspectiva de queda acentuada nos custos por meio de compras centralizadas e produção nacional.

No cenário nacional, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária registra um consumo superior a 750 mil doses mensais desses fármacos. O impacto financeiro particular, que oscila entre R$ 1 mil e R$ 3 mil mensais por indivíduo, torna o acesso privado inviável para a maioria. Pacientes que lutam contra a doença relatam histórias de superação e dificuldades financeiras. Antônia Vanda, de 55 anos, precisou de intervenção cirúrgica vascular devido a complicações do peso e destaca que a medicação foi determinante para eliminar 25 quilos e estabilizar taxas de glicemia e pressão arterial.

Especialistas da área médica avaliam a medida com cautela. O endocrinologista Marcelo Maia considera a incorporação válida desde que direcionada a quadros moderados a graves associados a comorbidades como diabetes e hipertensão. Contudo, o médico enfatiza que entregar o fármaco isoladamente não resolve a raiz do problema, defendendo um plano quinquenal voltado à educação alimentar, combate aos ultraprocessados e incentivo à prática de exercícios físicos desde a infância.

Na mesma linha, o nutrólogo Cláudio Barros Ohashi aponta a obesidade como uma condição multifatorial ligada a desequilíbrios metabólicos, sono irregular e saúde mental. Segundo ele, o acompanhamento clínico rigoroso e a definição de critérios claros de elegibilidade são indispensáveis para garantir a eficácia terapêutica, prevenindo complicações cardiovasculares e oncológicas de longo prazo que sobrecarregam o sistema público de saúde.

A enfermagem também corrobora a urgência de uma abordagem integrada. Maíra Oliveira, profissional da saúde com duas décadas de experiência, observa diariamente os reflexos do excesso de peso associado a tromboses e distúrbios circulatórios. Para ela, o suporte psicológico e nutricional deve caminhar lado a lado com qualquer intervenção medicamentosa, assegurando que o paciente receba apoio integral para transformar seus hábitos de vida de maneira sustentável.

Este conteúdo foi publicado originalmente por Gazeta Digital e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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