Candidaturas ao Congresso em Mato Grosso revelam estratégias distintas

Partidos apostam em concentração de verbas, divisão igualitária ou apostas em nomes fortes para as vagas federais no estado.

Por Redação • 23/09/2026 14:00 5 acessos
Candidaturas ao Congresso em Mato Grosso revelam estratégias distintas

A reta final da disputa pelas oito vagas de Mato Grosso na Câmara dos Deputados evidencia divergências profundas nas estratégias financeiras dos partidos políticos. Federação Brasil da Esperança, PSD e Podemos somam juntos R$ 16,559 milhões em receitas declaradas, montante inferior à metade dos R$ 37,5 milhões acumulados por União Progressista, PL e Republicanos. Os dados fiscais foram obtidos no sistema DivulgaCandContas, projetando um quociente eleitoral próximo de 235 mil votos e a faixa de sobras na casa de 188 mil votos.

Dentro desse cenário no estado, o PSD apresenta a configuração mais restrita entre os principais blocos, acumulando R$ 4,97 milhões. A maior parte desse valor, cerca de R$ 3,2 milhões, fica concentrada nas campanhas de Irajá Lacerda e Emanuelzinho. Por outro lado, nomes conhecidos do eleitorado da cidade de Cuiabá e região, como Procurador Mauro e Valtenir Pereira, registram quantias bastante modestas, enquanto Chico Curvo acabou deixando a nominata devido à falta de estrutura partidária.

Em uma direção completamente oposta, o Podemos optou pela pulverização dos recursos financeiros entre os postulantes. Com um total de R$ 4,533 milhões arrecadados, a legenda não possui nenhum candidato com verba superior a R$ 1 milhão, mas garante que nenhum nome fique desamparado na parte inferior da chapa. Nomes como Fernando Gorgen, Neri Geller e Delegado Fred Murta lideram os repasses internos, mantendo patamares semelhantes aos de Nelson Barbudo, Coronel Roveri e Kalynka Meirelles.

Já a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, lidera o bloco em arrecadação com R$ 7,055 milhões. A maior fatia desse montante concentra-se nas mãos de figuras com histórico nas urnas, a começar pela Professora Rosa Neide, que liderou a votação para deputada federal no estado em 2022, seguida por Dona Neuma e Antero. Juntos, os três respondem por mais de 77% de toda a verba da federação, priorizando nomes já testados pelo eleitorado mato-grossense na busca por cadeiras no Parlamento.

A concentração de verbas em poucos nomes, como ocorre no PSD e na federação de esquerda, transfere grande responsabilidade para os principais puxadores de votos, que precisam entregar números expressivos para puxar o restante da nominata. Ao mesmo tempo, o modelo descentralizado do Podemos aposta na capilaridade de múltiplos candidatos para tentar atingir o quociente eleitoral necessário e garantir representatividade para a cidade e o estado no Congresso Nacional.

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