Saúde mental avança em Primavera do Leste e MT
Município está entre as seis cidades que negociam medidas para melhorar o atendimento, enquanto a Defensoria monitora a estrutura de saúde mental em 22 municípios.
A rede pública de saúde mental de Primavera do Leste, em Mato Grosso, está entre as estruturas acompanhadas pela Defensoria Pública do Estado para ampliar e melhorar o atendimento à população. O município integra um grupo de seis cidades que atualmente discutem medidas por meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) ou termos de cooperação.
A atuação é conduzida pelo Grupo de Atuação Estratégica em Direitos Coletivos (Gaedic Saúde Mental), que ampliou o trabalho de diagnóstico, cobrança e negociação entre junho de 2025 e setembro de 2026. No período, foram expedidos 174 ofícios e ajuizadas 11 ações relacionadas à estruturação da rede de atenção psicossocial em Mato Grosso.
Em Primavera do Leste, a atuação ganhou uma frente específica em setembro de 2026. Além das questões relacionadas ao atendimento em saúde mental e ao consumo de álcool e outras drogas, as discussões passaram a abordar também os impactos da dependência relacionada às apostas e aos jogos on-line, conhecidos como bets.
O trabalho não está restrito a Primavera do Leste. Ao todo, 22 municípios mato-grossenses foram incluídos no acompanhamento do Gaedic Saúde Mental, com cobranças que variam conforme a realidade de cada localidade.
Entre as medidas estão a implantação ou adequação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), formação das equipes, criação de serviços voltados para crianças e adolescentes, atendimento a pessoas com problemas relacionados ao álcool e outras drogas e estruturação de unidades de acolhimento.
Em cidades menores, a prioridade é garantir serviços básicos capazes de oferecer acompanhamento contínuo. Nos municípios de maior porte, as demandas podem envolver estruturas especializadas, incluindo serviços com atendimento durante 24 horas.
Segundo o balanço apresentado pela Defensoria, a maior parte das solicitações ocorreu em 2026. Foram 159 ofícios expedidos entre janeiro e setembro deste ano, após uma primeira etapa de levantamento das condições existentes nos municípios.
A partir dos dados coletados, o trabalho avançou para a cobrança de cronogramas, definição de equipes e negociação com gestores públicos. Quando não houve acordo administrativo, o Gaedic recorreu à Justiça para buscar a implantação ou adequação dos serviços.
Atualmente, além de Primavera do Leste, Sorriso, Paranatinga, Tangará da Serra, Santo Antônio do Leverger e Rondonópolis estão envolvidos em negociações por meio de TAC ou termo de cooperação.
De acordo com o coordenador do Gaedic Saúde Mental, defensor público Denis Thomaz, o levantamento realizado identificou uma Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) incompleta e insuficiente em diferentes regiões do estado.
A expansão dessa estrutura para o interior de Mato Grosso é apontada como um dos principais focos do trabalho. A estratégia envolve desde a criação de serviços básicos até a implantação de unidades especializadas, conforme o tamanho da população e as necessidades de cada município.
O acompanhamento também resultou em 11 ações judiciais. Entre os municípios que foram alvo de medidas estão Aripuanã, Araputanga, Brasnorte, Alto Araguaia e Barra do Garças, onde foram solicitadas estruturas de CAPS. Em Barra do Garças, a demanda é voltada especificamente ao atendimento de crianças e adolescentes.















