UFMT afasta novo aluno por ‘lista de estupráveis’ em Cuiabá

Novo afastamento amplia crise na UFMT após denúncias de ameaças, protestos estudantis e investigação da Polícia Civil em Cuiabá.

Por Everton Plinio Martiny • 20/05/2026 09:11 639 acessos
UFMT afasta novo aluno por ‘lista de estupráveis’ em Cuiabá

Um estudante do curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foi afastado da instituição nesta quarta-feira (20), suspeito de envolvimento na criação de uma suposta lista que classificava alunas como “estupráveis” no campus de Cuiabá, em Mato Grosso. A medida ocorre em meio às investigações conduzidas pela Polícia Civil sobre mensagens que teriam sugerido violência sexual contra estudantes da universidade.

De acordo com a Polícia Civil, o aluno afastado é filho de um policial federal que teria ido até a universidade na última semana e intimidado colegas envolvidos nas denúncias. O agente afirma que o filho estaria sendo ameaçado por outros estudantes, o que teria motivado sua ida ao campus. Até o momento, ele foi intimado para prestar depoimento, mas ainda não compareceu à delegacia.

Este é o segundo afastamento relacionado ao caso. No dia 6 de maio, um acadêmico do curso de Direito também foi retirado das atividades presenciais por suspeita de participação na criação da lista investigada.

A delegada Liliane Diogo, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) e responsável pelo inquérito, informou que o procedimento investigativo foi instaurado após a universidade encaminhar documentos oficiais sobre o episódio. A apuração busca identificar os responsáveis pelas mensagens e esclarecer possíveis crimes cometidos.

Enquanto isso, a UFMT mantém aulas remotas por tempo indeterminado em um dos cursos afetados, após relatos de intimidação contra alunos que denunciaram o caso.

O caso ganhou repercussão no início de maio, após mensagens circularem nas redes sociais mencionando um suposto “ranking de alunas mais estupráveis” entre cursos da universidade.

Além das capturas de tela compartilhadas por estudantes, áudios divulgados em grupos de mensagens também passaram a integrar o material analisado pelas autoridades. A suspeita é de que o conteúdo contenha referências explícitas à intenção de cometer abusos sexuais contra colegas.

Imagens de câmeras de segurança da universidade também mostram o policial federal caminhando pelos corredores da instituição usando mochila, boné preto e um objeto preso à cintura semelhante a uma pasta, segundo informações investigadas pela polícia.

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou um procedimento administrativo e determinou que a UFMT informe, no prazo de cinco dias, quais medidas internas estão sendo adotadas diante das denúncias.

Além da Reitoria, o Centro Acadêmico de Direito (CADI) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) deverão encaminhar documentos, provas e demais materiais relacionados ao caso para auxiliar nas investigações.

Segundo a universidade, o diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Barbosa Silva, acompanhou estudantes até a delegacia após relatos de ameaças, aumentando a preocupação de alunos e familiares sobre a segurança dentro do campus.

A investigação reacendeu discussões sobre violência contra mulheres, segurança universitária e a responsabilização de possíveis crimes praticados em ambientes acadêmicos em Cuiabá e no estado de Mato Grosso.

O episódio também provocou protestos estudantis e forte mobilização dentro da UFMT, com pedidos por mais proteção às alunas e punição rigorosa aos envolvidos.

As autoridades seguem investigando o caso, enquanto novas informações e depoimentos devem ser divulgados nos próximos dias.

Este conteúdo foi publicado originalmente por G1 Mato Grosso e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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