Projeto religioso em presídio de MT ocultava esquema e lista íntima
Relatório policial aponta que visitas evangelizadoras em unidade prisional serviam para relacionamentos com líderes de facção.
A fachada de uma iniciativa voltada para a assistência espiritual em unidades prisionais do estado de Mato Grosso servia, na verdade, para encobrir vínculos amorosos e trocas de favores com detentos. A constatação consta em um relatório detalhado elaborado pela Polícia Civil, decorrente de apurações iniciadas após uma operação deflagrada em julho para desarticular esquemas de cooperação com facções criminosas.
Conforme o material reunido pelos investigadores, conversas recuperadas de dispositivos móveis demonstraram que mulheres ligadas ao projeto mantinham um rodízio de visitas e seleções direcionadas de presos. Em diálogos registrados em um grupo de mensagens, participantes discutiam abertamente a preferência por detentos e mencionavam uma relação direta com o cotidiano carcerário da Penitenciária Central do Estado.
O documento policial destaca trechos explícitos em que os alvos da investigação organizavam registros nominados com iniciais de detentos. Os investigadores apontam que as referências textuais correspondiam a lideranças e presidiários custodiados na unidade de segurança máxima, evidenciando uma proximidade que extrapolava qualquer finalidade humanitária ou religiosa.
Além dos encontros e do monitoramento da rotina interna, o inquérito revelou que o grupo se envolvia em demandas pessoais de criminosos, incluindo transações financeiras fracionadas e o uso de contas de terceiros. As apurações indicam ainda que recursos obtidos por meio de esquemas ilícitos financiavam despesas particulares, como viagens e procedimentos estéticos, enquanto algumas envolvidas respondem por suspeitas ligadas a depoimentos falsos no curso das apurações.
O desdobramento judicial do caso segue em andamento com denúncias apresentadas pelo Ministério Público contra os principais suspeitos apontados no esquema em Mato Grosso. Outros investigados citados inicialmente no processo tiveram a situação jurídica encerrada em virtude de falecimento, enquanto medidas cautelares continuam sendo avaliadas pelo Poder Judiciário em procedimentos específicos.













