Prejuízos no setor florestal de MT chegam a quase R$ 60 milhões

Instabilidade em sistemas do Ibama e da Sema-MT paralisou caminhões, comprometeu faturamento e gerou danos em cascata em toda a cadeia produtiva estadual.

Por Redação • 26/10/2026 16:45 • 6 acessos
Prejuízos no setor florestal de MT chegam a quase R$ 60 milhões

A instabilidade e a paralisação temporária nos sistemas de controle florestal do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que geraram reflexos diretos no Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), resultaram em prejuízos financeiros avaliados em quase R$ 60 milhões para o setor de base florestal de Mato Grosso.

De acordo com um balanço atualizado divulgado pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem), o problema ocorrido entre os dias 14 e 19 de outubro deixou 1.331 caminhões parados nas estradas e pátios. As perdas abrangeram toda a cadeia produtiva da biomassa, além de toras e madeiras serradas e beneficiadas.

Embora os sistemas Documento de Origem Florestal (DOF) e Sinaflor tenham retornado às atividades na tarde de uma segunda-feira (19), as plataformas continuaram registrando oscilações operacionais. Essas falhas técnicas recorrentes prejudicaram de forma expressiva o transporte de produtos madeireiros, o suprimento de matéria-prima para as indústrias e a honra de compromissos comerciais assumidos pelas empresas.

O levantamento detalha que o faturamento que deixou de ser realizado alcançou a marca de R$ 52,39 milhões. Paralelamente, despesas adicionais com multas, pagamento de diárias a motoristas e custos correlatos somaram R$ 2,22 milhões. Outros R$ 5,24 milhões decorreram de prejuízos em cascata, englobando cancelamentos de contratos, perda de clientes, devolução de cargas e paralisação de linhas fabris, sem contar US$ 1,1 milhão em transações de exportação afetadas.

Diante da gravidade da situação, o presidente do Cipem, Ednei Blasius, criticou a vulnerabilidade tecnológica enfrentada pelo segmento. “Não podemos tratar como normal uma situação em que todo um setor produtivo fica impedido de trabalhar porque os sistemas de controle ambiental não funcionam. Quando o sistema cai, a indústria para, o caminhão não circula e os compromissos comerciais deixam de ser cumpridos. Quando volta, os prejuízos já estão acumulados”, declarou o dirigente.

A entidade representativa destacou que os dados divulgados são parciais e têm potencial de crescimento, uma vez que diversas companhias direcionaram esforços para restabelecer as atividades produtivas de imediato e ainda não finalizaram a contabilização integral dos danos sofridos.

Em razão dos transtornos, o Cipem publicou uma nota de repúdio na semana passada exigindo providências enérgicas dos órgãos governamentais responsáveis. Para a instituição, a simples normalização temporária dos sistemas não soluciona uma falha que tem se repetido ao longo do tempo.

“O setor cumpre uma legislação ambiental rigorosa e depende dessas ferramentas para trabalhar legalmente. Não é aceitável que as empresas sejam penalizadas pela instabilidade dos próprios sistemas públicos. Precisamos de uma solução definitiva, que garanta segurança e previsibilidade às operações”, concluiu Ednei Blasius.

Este conteúdo foi publicado originalmente por MT Econômico e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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