Frete bate recorde e afeta transporte em Mato Grosso
Escassez de caminhões impulsiona custos e coloca Mato Grosso entre os destaques.
O preço do frete rodoviário alcançou o maior patamar já registrado no Brasil no segundo trimestre de 2026. Mesmo com uma redução de 22% no volume de cargas transportadas, as tarifas subiram 20% em relação ao mesmo período do ano passado, refletindo um cenário de menor oferta de caminhões e motoristas nas principais rotas do país.
Os dados são do relatório Frete Insights, da Frete.com, que aponta uma mudança importante na dinâmica do setor. Pela primeira vez, a disponibilidade de veículos e profissionais teve peso maior na formação dos preços do que o próprio custo do diesel, que acumulou alta de 14% no período.
O Índice Frete.com de Preços (IFP) também apresentou crescimento contínuo. No comparativo com o primeiro trimestre, houve avanço de 5,3%, enquanto somente em junho a alta foi de 3,3%, consolidando a tendência de encarecimento do transporte rodoviário.
Mato Grosso ganhou ainda mais relevância no mercado nacional de fretes. Ao lado de São Paulo e Minas Gerais, o estado concentrou mais da metade das operações registradas pela plataforma, reforçando sua posição estratégica no escoamento da produção agrícola brasileira.
O levantamento mostra que o Sudeste ampliou sua participação nas movimentações de cargas, passando de 39% para 43% do total nacional. Apesar disso, as principais rotas ligadas ao agronegócio continuam envolvendo estados produtores como Mato Grosso, responsáveis pelo transporte de grandes volumes de grãos e outros produtos.
O agronegócio permaneceu como principal motor do transporte rodoviário, respondendo por 42,9% dos fretes registrados. As maiores variações nas tarifas ocorreram justamente em corredores utilizados para o escoamento da safra.
Entre os destaques está a rota entre Nova Mutum (MT) e Imbituba (SC), que registrou aumento de 72,3% no valor do frete. Também apresentaram fortes reajustes os trajetos de Campo Verde (MT) para Paranaguá (PR), com alta de 48,6%, e de Barro Alto (GO) para Laranjeiras (SE), que avançou 49,2%.
O estudo também identificou maior pressão sobre a disponibilidade de caminhões em importantes corredores logísticos do agronegócio. Em algumas rotas, a quantidade de cargas disponíveis supera com folga a oferta de veículos, cenário que contribui para manter os preços elevados e aumenta os desafios para produtores, transportadoras e embarcadores em todo o país.














