Conflitos por água afetam famílias e Chapada dos Guimarães
Dados parciais da Comissão Pastoral da Terra mostram alta nas ocorrências de disputas por água no estado, com impactos em comunidades locais.
Mato Grosso registrou 35 ocorrências de conflitos no campo ao longo do primeiro semestre de 2026, conforme balanço parcial divulgado pela Comissão Pastoral da Terra na primeira quarta-feira de julho. O total abrange 21 episódios de disputas por terra, 10 casos centrados no acesso aos recursos hídricos e quatro ocorrências de exploração de trabalho escravo rural no estado.
Entre as situações mapeadas no território estadual, a Comunidade Padilha, situada no município de Chapada dos Guimarães, figura entre os locais afetados pela diminuição na disponibilidade hídrica. A contagem geral da entidade também engloba populações tradicionais, assentados, pescadores, indígenas, quilombolas e trabalhadores sem-terra em diferentes regiões mato-grossenses.
Apenas os 10 episódios de conflitos pela água contabilizados no estado impactaram 494 famílias entre janeiro e junho. Com esses números, a unidade federativa posiciona-se entre as mais afetadas do país nesse quesito, ficando atrás apenas do Pará e de Minas Gerais, além de registrar empate numérico com o Amazonas.
As estatísticas recentes já ultrapassam o total de oito ocorrências hídricas contabilizadas em todo o ano anterior. Conforme o relatório, as tensões decorrem de fatores como poluição de mananciais, restrições ao suprimento básico, além de interferências provocadas por garimpos e grandes estruturas de engenharia.
O levantamento detalha ainda que os 21 episódios de posse e ocupação da terra envolveram problemas como desmatamento ilegal, invasões territoriais, grilagem e assassinatos, a exemplo da morte registrada em Alto Paraguai. Os dados parciais servem de base para o monitoramento contínuo da entidade voltado aos direitos das populações rurais.













