Cinza vira fertilizante e impulsiona agricultura em MT

Estudo desenvolvido em Rondonópolis reaproveita resíduos agroindustriais para criar fertilizantes mais eficientes e sustentáveis para o campo mato-grossense.

Por Everton Plinio Martiny • 07/06/2026 16:30 • 675 acessos
Cinza vira fertilizante e impulsiona agricultura em MT

Um resíduo que por anos representou um desafio ambiental em Mato Grosso está ganhando uma nova função no agronegócio. Pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis desenvolveram fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, material gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais. A iniciativa busca transformar um passivo ambiental em uma alternativa sustentável para melhorar a fertilidade do solo e aumentar a produtividade agrícola.

Segundo os responsáveis pelo projeto, os novos fertilizantes estão sendo produzidos em formatos granulados e peletizados, o que facilita o armazenamento, o transporte e a aplicação nas propriedades rurais. Além disso, a tecnologia permite a liberação gradual dos nutrientes, favorecendo a absorção pelas plantas e reduzindo perdas durante o cultivo.

Coordenada pela pesquisadora Edna Maria Bonfim, a pesquisa une inovação tecnológica e sustentabilidade ao reaproveitar um material abundante na região. A proposta segue os princípios da economia circular, transformando resíduos agroindustriais em produtos de valor agregado para a agricultura.

De acordo com a coordenadora, o objetivo é ampliar o acesso a fertilizantes sustentáveis e contribuir para o desenvolvimento regional, beneficiando especialmente pequenos produtores rurais que enfrentam altos custos com insumos agrícolas.

As pesquisas tiveram início em 2009 por meio do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), que realiza estudos voltados à recuperação de áreas degradadas e à melhoria da qualidade dos solos.

Ao longo dos anos, os pesquisadores identificaram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes essenciais às plantas, melhorar características químicas do solo e até auxiliar no manejo de nematoides. Os resultados positivos já foram observados em culturas como feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais.

Além dos ganhos agronômicos, os estudos indicam redução na necessidade de fertilizantes minerais convencionais. Isso contribui para diminuir custos de produção e aumentar a sustentabilidade dos sistemas agrícolas, especialmente em regiões com forte atividade agroindustrial.

O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma solução para um problema ambiental recorrente. Em vez de ser descartado, o resíduo passa a integrar uma cadeia produtiva capaz de gerar benefícios econômicos e ambientais.

A utilização desse material reduz o desperdício de recursos, minimiza riscos de contaminação e fortalece práticas sustentáveis no setor agrícola. A tecnologia desenvolvida em Mato Grosso ainda abre espaço para novas soluções adaptadas às características produtivas do estado.

Os resultados alcançados já ultrapassaram os limites dos laboratórios e vêm ganhando destaque na comunidade científica nacional e internacional. Os estudos geraram publicações em periódicos de alto impacto, ampliando a visibilidade das pesquisas desenvolvidas em Mato Grosso.

O avanço da pesquisa reforça a busca por alternativas capazes de aliar produtividade agrícola e preservação ambiental. Em um estado com forte vocação para o agronegócio, iniciativas voltadas ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis ganham cada vez mais relevância.

Os trabalhos seguem em desenvolvimento, e novas etapas da pesquisa devem ampliar o conhecimento sobre o uso da cinza vegetal na agricultura, fortalecendo soluções inovadoras para o campo mato-grossense.

Este conteúdo foi publicado originalmente por FAPEMAT e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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