Bope recebe provas de caso Renato Nery para apurar PMs em MT
Decisão judicial permite acesso integral aos autos da ação penal para apuração da conduta funcional de três policiais militares acusados de intermediar o homicídio do advogado.
O assassinato do advogado Renato Nery ganhou um novo desdobramento em Cuiabá, Mato Grosso. A Justiça autorizou que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) tenha acesso a todas as provas reunidas na ação penal para subsidiar uma investigação administrativa contra três policiais militares apontados como participantes da intermediação do crime.
A decisão foi assinada pelo juiz Marcos Faleiros, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. O compartilhamento do material atende a um pedido do próprio Bope, que pretende utilizar as informações na instrução do Conselho de Disciplina da Corregedoria da Polícia Militar, responsável por analisar a permanência funcional dos investigados.
Segundo o magistrado, a apuração administrativa possui autonomia em relação ao processo criminal, o que permite que a administração pública utilize os elementos já produzidos pela Justiça sempre que houver relação entre os fatos investigados e a conduta dos servidores envolvidos.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, os policiais militares Heron Teixeira Pena Vieira, Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira teriam exercido funções estratégicas para viabilizar o assassinato de Renato Nery.
A investigação aponta que eles foram responsáveis por organizar a execução, intermediar pagamentos, recrutar o atirador e providenciar a arma utilizada no crime.
Ainda conforme a acusação, Jackson Pereira Barbosa teria utilizado sua proximidade com os supostos mandantes, moradores de Primavera do Leste, Mato Grosso, para aproximar Heron Teixeira da empreitada criminosa. Heron, por sua vez, teria convencido o marceneiro Alex Queiroz Silva a executar o homicídio, enquanto Ícaro Nathan é apontado como o responsável por fornecer uma pistola Glock calibre 9 mm adaptada para disparos em rajada.
A denúncia sustenta que Renato Nery foi morto por contrariar interesses econômicos ligados a uma disputa envolvendo a Fazenda Atlântida, localizada em Novo São Joaquim, Mato Grosso.
O imóvel rural, avaliado em aproximadamente R$ 70 milhões, teria motivado o planejamento do crime. Conforme o Ministério Público, os supostos mandantes Julinere Goulart e César Sechi teriam financiado toda a operação, com um pagamento estimado em cerca de R$ 200 mil para garantir a execução.
O marceneiro Alex Queiroz Silva, primeiro réu a ser submetido ao Tribunal do Júri, admitiu ter sido o autor dos disparos que mataram o advogado em julho de 2024.
Durante o julgamento, ele afirmou que aceitou executar o homicídio por causa de dificuldades financeiras e ameaças de agiotas. Segundo seu depoimento, recebeu aproximadamente R$ 100 mil por intermédio de Heron Teixeira, mas negou qualquer contato direto com os supostos mandantes ou com os demais acusados.
Apesar da negativa sobre a participação conjunta, Alex confirmou que manteve relação apenas com Heron, apontado pela investigação como o elo entre o executor e os contratantes do crime.
Ao final do julgamento, ele foi condenado a 33 anos de prisão pelo homicídio, enquanto a ação penal contra os demais acusados segue em andamento e, paralelamente, passa a servir de base para a investigação disciplinar conduzida pela Polícia Militar em Mato Grosso.















