Produtores rurais de MT podem renegociar R$ 33,9 bi em dívidas
Nova medida provisória abre caminho para reestruturação financeira no campo após sucessivas quebras de safra e forte alta na inadimplencia.
Agricultores, pecuaristas e cooperativas situados na região Centro-Oeste já têm acesso a novas regras para a repactuação de débitos vinculados ao crédito rural. O amparo legal veio por meio da Medida Provisória número 1.376 de 2026, abrindo oportunidades para que milhares de empreendimentos do setor recuperem o equilíbrio nas contas.
De acordo com os dados levantados, o universo de potenciais beneficiados engloba aproximadamente 18,4 mil clientes. O montante financeiro atrelado a essas operações elegíveis alcança a cifra de até 33,9 bilhões de reais em financiamentos contratados na praça.
A legislação recente viabilizou a instituição de modalidades específicas de crédito voltadas à recomposição de obrigações financeiras. O público-alvo são aqueles produtores e entidades coletivas que registraram prejuízos decorrentes de intempéries climáticas ou instabilidades mercadológicas ao longo de pelo menos duas safras compreendidas entre os anos de 2019 e 2025.
Segundo Gilson Bittencourt, vice-presidente de carteira de crédito rural, a norma federal surge em um período crítico para o campo na região, marcado por adversidades meteorológicas que impactaram diretamente o faturamento e a produtividade das lavouras. A proposta visa devolver a previsibilidade ao fluxo de caixa das propriedades.
O cenário de endividamento no estado de Mato Grosso já vinha sendo mapeado por análises recentes do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. O órgão apontou uma escalada expressiva nos índices de inadimplência e de renegociações, impulsionada pela retração nas cotações das commodities, patamares elevados de juros, despesas altas com insumos e cenários geopolíticos externos desfavoráveis.















