Desaparecimento em Poxoréu cita milícia ligada a Primavera do Leste

Por Everton Plinio Martiny • 24/03/2026 06:15 103 acessos
Desaparecimento em Poxoréu cita milícia ligada a Primavera do Leste

A jovem Agatha Moraes de Souza, de 27 anos, está desaparecida há dois meses após uma operação policial realizada na região do Vale Verde, em Poxoréu (MT). O caso ganhou repercussão após o nome da vítima ser mencionado em um documento do Ministério Público de Mato Grosso (MPE-MT), que aponta a possibilidade de atuação de uma suposta milícia com ligação ao município de Primavera do Leste.

De acordo com o material encaminhado ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), o desaparecimento ocorreu no dia 23 de janeiro deste ano, por volta das 22h, quando policiais militares teriam entrado na residência onde Agatha estava. O documento indica que existem indícios de que os fatos registrados na ocorrência possam ter sido manipulados, sendo apresentados oficialmente como confronto armado.

A operação resultou na morte de três pessoas, incluindo o companheiro da jovem, Jonathan Souza da Silva, de 29 anos, conhecido como “Tubarão”. Ele mantinha relacionamento com Agatha há cerca de oito meses e possuía antecedentes por tráfico de drogas, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Segundo a versão apresentada pelos policiais, Jonathan teria sido morto após tentar reagir à abordagem. No entanto, o Ministério Público levanta a hipótese de execução, que poderia também envolver Agatha, embora o nome dela não conste nos registros oficiais da ação.

 O documento do MPE aponta ainda a possibilidade de o corpo da jovem ter sido retirado do local, o que configuraria, em tese, crimes como ocultação de cadáver e supressão de vestígios. A Polícia Civil informou que o desaparecimento só foi formalmente registrado dias depois, quando o pai da jovem procurou as autoridades. Após dois meses, o paradeiro de Agatha segue desconhecido.

As investigações também citam um segundo episódio envolvendo os mesmos policiais, com suspeita de simulação de confronto para justificar mortes. Há indícios de que armas teriam sido colocadas posteriormente nas cenas para sustentar a versão oficial. Um dos envolvidos nesse caso sobreviveu e poderá prestar esclarecimentos.

Trecho do documento do Ministério Público menciona que a abordagem teria começado com disparos de arma de fogo, sem reação armada das pessoas abordadas, que estariam desarmadas. O texto também aponta a possibilidade de que armas tenham sido posicionadas no local posteriormente para simular confronto.

 No dia 11 de fevereiro de 2026, o juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, especializada em Justiça Militar, encaminhou a denúncia para a Corregedoria da Polícia Militar. O órgão ficará responsável pela apuração interna dos fatos.

O prazo inicial para conclusão das investigações é de até 90 dias, contados a partir da decisão judicial. Durante esse período, o Ministério Público e o Judiciário acompanharão o andamento dos trabalhos. O caso segue sendo monitorado e gera atenção, especialmente pela possível ligação com uma suposta milícia com atuação na região de Primavera do Leste.

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