Taques rebate projeto de Medeiros que restringe operações em MT
Ex-procurador classificou a ideia de suspender ações policiais antes do pleito como um incentivo à impunidade e ao ingresso de criminosos na política.
A disputa pelas vagas ao Senado em Mato Grosso ganhou novos contornos após o confronto verbal entre os candidatos Pedro Taques (PSB) e José Medeiros (PL) a respeito da atuação policial durante a campanha. O centro da polêmica é a intenção manifestada por Medeiros de apresentar uma proposta para proibir buscas e apreensões contra candidatos nos seis meses que antecedem as eleições. Para o parlamentar, ações dessa natureza deflagradas no meio do pleito podem desequilibrar a disputa e prejudicar coligações inteiras, sugerindo que investigações deveriam ocorrer em outros momentos ou após a votação.
A reação de Taques foi imediata e contundente. Ex-procurador da República e com histórico de atuação em segurança pública, o candidato socialista afirmou publicamente que a política não pode receber nenhum tipo de blindagem. Na visão dele, criar um intervalo sem fiscalização policial abriria brechas para que indivíduos ligados a facções criminosas ou envolvidos em esquemas ilícitos utilizassem a disputa eleitoral como um refúgio para obter imunidade. O político defendeu justamente o oposto, cobrando rigor e fiscalização constante da Receita Federal sobre quem pretende ocupar cargos públicos no estado.
A discussão ganhou fôlego após a deflagração da Operação Heritage, conduzida pela Polícia Federal e que teve como alvo o ex-governador e também postulante ao Senado Mauro Mendes (União). Ao comentar o caso, Medeiros classificou a coincidência entre a operação e o registro das candidaturas como excessiva, argumentando que a polícia dispõe de tempo suficiente para agir fora do calendário eleitoral. Apesar de reconhecer Mendes como adversário na corrida eleitoral, o deputado insistiu que medidas ostensivas no curso de uma campanha afetam a lisura do processo democrático e prejudicam aliados.
O tema, contudo, encontrou resistência até mesmo entre aliados políticos em Mato Grosso. O senador Wellington Fagundes, candidato ao governo estadual e correligionário de Medeiros, classificou a ideia de paralisar as operações policiais como um absurdo. Com visões opuestas sobre os limites da lei e da ordem durante o período de votação, os candidatos ao Senado polarizam o debate estadual sobre segurança institucional e a fiscalização de candidaturas no estado.















