Safra de soja 2026/27 começa em Mato Grosso e atinge 1,15% da área
Levantamento aponta avanço inicial no estado apesar da irregularidade das chuvas e destaca estratégias de manejo dos produtores.
Os agricultores de Mato Grosso deram início aos trabalhos de semeadura para a temporada de soja 2026/27, atingindo a marca de 1,15% da área projetada para o estado. Os dados foram compilados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária e mostram que o índice atual supera em 0,60 ponto percentual o patamar observado no mesmo período do ciclo anterior. O avanço inicial, no entanto, ocorre de forma heterogênea e depende diretamente da disponibilidade de umidade no solo para a entrada das máquinas nas lavouras.
Regionalmente, o oeste mato-grossense lidera a atividade com 2,19% da área semeada, com destaque para os municípios de Sapezal e Campo Novo do Parecis. Na sequência, a região médio-norte registrou 2,16% de cobertura, enquanto o norte do estado avançou para 1,44%, concentrando as operações nas proximidades da rodovia BR-163. Na porção sudeste, 0,26% da área recebeu sementes, prioritariamente em talhões irrigados e em propriedades que integram o cultivo com o algodão, ao passo que o Vale do Guaporé ainda não havia iniciado a semeadura no período da apuração.
Para os próximos dias, a expectativa do setor é de uma aceleração nos trabalhos agrícolas em solo mato-grossense, impulsionada pelas previsões meteorológicas que indicam volumes maiores de precipitação. Segundo o superintendente do instituto, Cleiton Gauer, a cautela e o planejamento têm sido fundamentais diante do comportamento irregular das chuvas, marcadas por pancadas isoladas que beneficiam determinadas faixas de terra enquanto deixam áreas vizinhas totalmente secas.
Diante desse cenário desafiador, os produtores rurais têm adotado táticas específicas de gestão de risco, como a antecipação controlada do plantio dentro da janela permitida e a distribuição das operações ao longo de um período mais dilatado. Além disso, ferramentas como o seguro rural e a diversificação de culturas para a segunda safra, incluindo o cultivo de gergelim e sorgo em locais com menor disponibilidade hídrica, ganham espaço para proteger a renda agrícola.
O planejamento também considera os reflexos potenciais no calendário do milho, visto que qualquer atraso na colheita da soja pode comprimir o período ideal de plantio do cereal. Com uma área cultivada de milho expressivamente maior do que há uma década, saltando para cerca de 7,5 milhões de hectares, o setor reforça a necessidade de rigor na observância das janelas climáticas para mitigar riscos de perdas na produtividade futura.















