Harpia ameaçada de extinção faz ninho em fazenda e impede corte de árvore em Tapurah

Por Everton Plinio Martiny • 07/05/2026 14:08 725 acessos
Harpia ameaçada de extinção faz ninho em fazenda e impede corte de árvore em Tapurah

Uma harpia, também conhecida como gavião-real, levou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) a notificar o proprietário de uma fazenda em Tapurah para impedir o corte de uma árvore utilizada pela ave como ninho. A espécie está ameaçada de extinção e vem sendo monitorada pelo órgão ambiental.

A medida determina a preservação da área ao redor da árvore em um raio mínimo de 150 metros. Segundo a Sema-MT, o objetivo é garantir a segurança do filhote durante a fase de aprendizado e evitar qualquer interferência no comportamento natural dos animais adultos.

A harpia foi identificada durante atividades de campo realizadas pela equipe da Gerência de Fauna Silvestre da Sema. O monitoramento segue ativo para acompanhar o desenvolvimento do filhote e assegurar a conclusão do ciclo reprodutivo da espécie.

O proprietário da fazenda informou ao órgão ambiental que irá cumprir integralmente a notificação. Além de manter as árvores preservadas no entorno do ninho, ele afirmou que fará a sinalização da área com placas de “proibido corte” para orientar as equipes de exploração florestal.

A descoberta ocorreu em uma área de manejo florestal sustentável, onde o corte de árvores é realizado de forma seletiva e controlada. Nesse sistema, apenas indivíduos previamente autorizados são retirados, respeitando critérios ambientais e o ciclo natural da floresta.

Durante as atividades técnicas no local, os profissionais da Sema identificaram a presença da harpia utilizando uma árvore catalogada para construir o ninho. A partir disso, a derrubada foi imediatamente suspensa para preservar a reprodução da ave.

Classificada pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) como espécie “vulnerável”, a harpia integra o Plano de Ação Nacional para Conservação das Espécies Ameaçadas, coordenado pelo ICMBio.

O coordenador de Fauna e Recursos Pesqueiros da Sema-MT, Éder Toledo, destacou que o caso demonstra a integração das equipes ambientais na proteção da biodiversidade em Mato Grosso.

Segundo ele, a atuação conjunta entre os setores da secretaria foi essencial para garantir uma resposta rápida e evitar impactos à fauna silvestre.

A Sema-MT também ressaltou que o Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora) permite rastrear toda a madeira extraída das áreas de manejo. Cada árvore possui identificação própria dentro do sistema, o que facilita o controle ambiental e a fiscalização.

O caso reforça a importância do manejo florestal sustentável em Mato Grosso, estado que possui cerca de 5,2 milhões de hectares destinados a esse modelo de exploração controlada. A meta do Programa Carbono Neutro 2035 é ampliar essa área para seis milhões de hectares.

Além da preservação ambiental, o manejo sustentável é apontado como uma estratégia para manter a floresta em pé, conservar serviços ecossistêmicos e gerar desenvolvimento econômico regional sem comprometer a biodiversidade.

As autoridades ambientais seguem monitorando a harpia em Tapurah.

Este conteúdo foi publicado originalmente por Governo de Mato Grosso e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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