Gisela diverge de Mauro Mendes e defende estabilidade em MT
A vice-governadora eleita de Mato Grosso discorda de proposta do senador eleito e aponta ferramentas já existentes para punir maus profissionais.
A discussão em torno do funcionalismo público em Mato Grosso ganhou novos contornos após declarações da vice-governadora eleita, Gisela Simona. Durante participação em um programa de entrevistas, ela discordou publicamente da ideia de eliminar a estabilidade dos servidores, tese defendida pelo ex-governador e senador eleito Mauro Mendes. Para a futura gestora, a medida pode gerar o efeito inverso ao pretendido, prejudicando a execução das atividades estatais.
Servidora pública de carreira e ex-chefe do Procon estadual, Gisela argumentou que a administração pública já conta com instrumentos suficientes para cobrar resultados e afastar profissionais inaptos. Entre os mecanismos citados estão as avaliações de desempenho e os processos administrativos disciplinares, conhecidos como PADs, que podem culminar na demissão legal de funcionários que cometam irregularidades ou não cumpram suas funções.
A divergência expõe um racha político entre duas figuras do União Brasil que compuseram o mesmo arco de alianças nas eleições deste ano. Enquanto Mauro defendeu o fim da garantia institucional durante um evento corporativo em Brasília, sustentando que a medida estimula a produtividade, a vice-governadora aposta em incentivos financeiros, como o pagamento de bônus vinculados a metas, modelo já aplicado anteriormente no estado.
O posicionamento ganha peso estratégico considerando o papel designado a Gisela na próxima gestão estadual. Ela foi escolhida pelo governador reeleito Otaviano Pivetta para liderar a interlocução entre o Poder Executivo e os servidores, mediando pautas salariais, planos de carreira e condições de trabalho. A atuação exigirá diálogo constante com a base do funcionalismo afetada pelas discussões sobre reformas administrativas.
Especialistas lembram que a estabilidade para servidores efetivos é uma garantia prevista na Constituição Federal, cuja alteração depende de profundas modificações na legislação nacional, não sendo uma prerrogativa de gestões estaduais ou municipais. A polêmica evidencia o debate nacional sobre a modernização do Estado e os limites das reformas trabalhistas no setor público.















