Fábrica em presídio impulsiona recomeços em MT
A Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, deu um passo decisivo rumo à ressocialização ao inaugurar uma moderna fábrica e oficina-escola de costura. O projeto, liderado pela Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso em parceria com a Fundação Nova Chance, recebeu investimentos de R$ 6,8 milhões em infraestrutura e já desponta como referência em políticas públicas voltadas à transformação social.
Com 91 máquinas industriais e estrutura completa de produção, a iniciativa prevê a geração de até 120 vagas de trabalho remunerado para reeducandas, com jornada diária de oito horas. Mais do que oferecer ocupação, o projeto aposta na qualificação profissional como ferramenta concreta para reconstrução de trajetórias e reinserção no mercado de trabalho.
Durante a inauguração, realizada na última quinta-feira, a diretora da unidade, Keily Marques, ressaltou que o investimento vai além da atividade produtiva. Segundo ela, apostar no desenvolvimento feminino é uma estratégia com impacto direto na sociedade. A proposta, de acordo com a gestora, é criar oportunidades reais que permitam às internas ressignificar suas histórias e construir um futuro diferente.
A capacitação inicial foi conduzida pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, que já formou 20 internas aptas a atuar como multiplicadoras dentro da própria unidade. Esse modelo fortalece a continuidade do aprendizado e amplia o alcance da qualificação entre as detentas.
A produção da fábrica será direcionada à confecção de uniformes escolares para a rede estadual, conectando o sistema prisional a uma demanda pública essencial. Além de promover a inclusão produtiva, a iniciativa também contribui para a redução de custos do Estado, criando um ciclo sustentável entre educação, trabalho e economia.
A expectativa é que, em sua fase inicial, o projeto alcance mais de 50% da população carcerária da unidade. O impacto, no entanto, ultrapassa os muros do presídio, ao demonstrar que políticas públicas bem estruturadas podem gerar transformação social efetiva.
Ao integrar trabalho, educação e dignidade, a fábrica de costura da unidade prisional se consolida como um exemplo de que investir em mulheres em situação de vulnerabilidade é investir no desenvolvimento de toda a sociedade.















