Custo da soja avança e rentabilidade em Mato Grosso vai despencar
Levantamento aponta que despesas maiores e produtividade menor apertam as margens no campo, exigindo planejamento rigoroso.
A produção agrícola no estado de Mato Grosso enfrentará desafios financeiros consideráveis na temporada 2026/27. As despesas para cultivar o grão atingirão R$ 8.171,41 por hectare, enquanto a rentabilidade projetada sofrerá uma retração de 35,05% em comparação ao ciclo anterior. Os dados constam em um levantamento especializado elaborado em conjunto por entidades do setor produtivo rural.
Para a próxima safra, a área plantada da oleaginosa no território estadual ficará praticamente estável em 13,04 milhões de hectares, registrando um avanço tímido de 0,25%. No entanto, a quantidade colhida por hectare deve diminuir 5,43%, alcançando 62,44 sacas, o que resultará em uma colheita total de 48,88 milhões de toneladas, uma redução de 5,19% frente à temporada passada.
As despesas no campo subiram em todas as categorias de análise. O custeio direto da lavoura chegou a R$ 4.323,22 por hectare, alta de 3,39%, ao passo que o Custo Operacional Efetivo bateu R$ 6.012,39 por hectare. Com esse panorama, a receita gerada pela venda não será suficiente para cobrir todos os desembolsos e investimentos, forçando os agricultores a monitorarem de perto os preços de mercado e o rendimento das lavouras.
Apesar do cenário de margens estreitas, os negócios com o grão mantêm ritmo acelerado. Até agosto de 2026, quase 40% da produção projetada já havia sido negociada pelos agricultores, superando o ritmo comercial verificado no mesmo intervalo do ano anterior. Especialistas reforçam que a atenção deve se estender também ao milho e a outras culturas para equilibrar as contas da propriedade.
Como alternativa para driblar a baixa rentabilidade da soja isolada, o estudo aponta sistemas consorciados, como a combinação com algodão ou gergelim, além da aposta em lavouras de feijão de terceira safra. Analistas e lideranças rurais destacam que o planejamento detalhado e o rigor na gestão são ferramentas indispensáveis para atravessar o momento de oscilação das commodities e garantir a sustentabilidade da atividade agrícola na cidade e no estado.















