Cáceres lamenta a morte de Neuzo Antônio de Oliveira aos 80 anos
Agricultor familiar, sindicalista e defensor das águas pantaneiras, ele marcou a história dos movimentos sociais na região.
A cidade de Cáceres entardeceu em silêncio para se despedir de uma de suas figuras mais emblemáticas da luta social e ambiental. Neuzo Antônio de Oliveira faleceu aos 80 anos, deixando uma trajetória marcada pela defesa intransigente do Pantanal, dos trabalhadores rurais e das comunidades tradicionais da região.
Nascido no interior paulista em outubro de 1945, Neuzo construiu sua vida no Alto Pantanal atuando como agricultor familiar e apicultor. Quando incêndios de grandes proporções devastaram o bioma em 2020 e destruíram seu apiário, o ativista transformou a própria perda em combate coletivo, cobrando amparo aos pequenos produtores e denunciando a degradação ambiental.
Sua atuação pública esteve fortemente ligada ao Partido dos Trabalhadores, legenda pela qual disputou eleições em 2004, 2006 e 2024. Para ele, as urnas funcionavam como instrumento para dar visibilidade às demandas da população marginalizada, sem qualquer apego a cargos ou vaidades políticas.
Neuzo também exerceu forte papel institucional e comunitário no estado de Mato Grosso. Atuou como conselheiro na Associação Sociocultural e Ambiental Fé e Vida junto ao Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Cabaçal, posicionando-se contra a construção desordenada de hidrelétricas. Além disso, esteve à frente de romarias fluviais e representou o estado como delegado na Conferência Nacional do Meio Ambiente em Brasília.
Nas trincheiras do controle social em Cáceres, presidiu o Conselho Municipal de Saúde, atuando em defesa do Sistema Único de Saúde e do atendimento no Hospital Regional. Pelo Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, apoiou a causa dos posseiros e da reforma agrária, consolidando um legado de dedicação aos direitos da terra e da água.















