Avanço da mineração em terras agrícolas preocupa MT

Grupos internacionais demonstram interesse na prospecção de minerais em propriedades agrícolas do Vale do Araguaia, exigindo atenção jurídica do setor produtivo.

Por Redação • 11/09/2026 17:28 150 acessos
Avanço da mineração em terras agrícolas preocupa MT

O avanço de companhias de mineração sobre territórios agrícolas em Mato Grosso mobilizou lideranças do setor rural e acendeu um sinal de alerta entre proprietários de terras. O assunto foi o principal ponto de discussão em um encontro promovido pelo Sindicato Rural de Querência na última quarta-feira (9), reunindo agricultores preocupados com a investida de empresas interessadas na prospecção de riquezas no subsolo regional.

Conforme os dados divulgados durante a reunião conduzida pelo presidente da entidade, Adalberto Backes, corporações internacionais oriundas do Canadá, Estados Unidos e Noruega figuram entre os principais agentes interessados na busca por substâncias como ouro, potássio e fósforo no estado. Essa movimentação impõe um desafio inédito para a economia local, que precisa ponderar a continuidade da produção agrícola com o potencial aproveitamento mineral.

Sob a legislação brasileira vigente, a estrutura jurídica separa a propriedade da superfície dos recursos minerais subterrâneos, sendo estes últimos de titularidade da União. Na prática, o agricultor atua como superficiário e possui garantias legais asseguradas pela Constituição e pela Agência Nacional de Mineração, o que inclui o direito a reparações financeiras, pagamentos por ocupação territorial e participação nos lucros decorrentes da lavra.

Diante desse cenário, a recomendação repassada aos produtores é evitar qualquer tipo de confronto direto com as equipes de pesquisa e optar por uma condução técnica das tratativas. Caso ocorra impasse nas negociações, o ordenamento jurídico prevê a instituição de servidão mineral por via judicial, acompanhada da devida compensação econômica pelos danos e restrições impostas ao uso da terra.

Especialistas e dirigentes sindicais reforçam que o apoio de profissionais jurídicos e técnicos deve ocorrer desde o primeiro contato com as mineradoras. A medida evita a assinatura prematura de acordos desfavoráveis e protege o patrimônio dos agricultores de Canarana e demais municípios inseridos no Vale do Araguaia, assegurando que os direitos econômicos dos donos da terra sejam integralmente respeitados.

Este conteúdo foi publicado originalmente por Bora Ver Araguaia e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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