Espetáculo de Rio das Ostras chega a Primavera do Leste antes de Lisboa

Peça integra a programação do Festival Velha Joana, explora as relações humanas e utiliza a Libras como parte essencial de sua linguagem artística.

Por Redação • 06/11/2026 19:47 • 72 acessos
Espetáculo de Rio das Ostras chega a Primavera do Leste antes de Lisboa

Uma produção teatral criada no interior do Rio de Janeiro vai passar por Primavera do Leste, em Mato Grosso, antes de cruzar o oceano para uma apresentação em Portugal. O espetáculo “Um Instante” será apresentado neste sábado (7), às 19h, no Teatro Municipal, como parte da programação do Festival Velha Joana.

Depois da passagem pelo município mato-grossense, a companhia seguirá para Lisboa, onde participará da 3ª Mostra de Teatro do Brasil, no espaço Chapitô. A apresentação internacional está marcada para o dia 15 de novembro, às 18h.

Criado em 2024 por artistas, pesquisadores e educadores que desenvolvem trabalhos entre Rio das Ostras e Três Rios, o espetáculo propõe uma reflexão sobre o tempo, a comunicação e os encontros que transformam a experiência humana.

Para William Lopes, produtor executivo e ator, levar a montagem a diferentes territórios permite ampliar as possibilidades de interpretação da obra e estabelecer conexões culturais e profissionais.

A proposta também é fazer com que as experiências adquiridas durante a circulação retornem ao local onde o trabalho foi desenvolvido, fortalecendo a produção artística fora dos grandes centros.

Uma padaria se transforma em cenário de encontros e reflexões: A história de “Um Instante” acontece em uma padaria onde não se fazem sonhos. Nesse ambiente cotidiano, diferentes personagens se encontram, alguns parecem reconhecer pessoas do passado, enquanto outros permanecem presos à expectativa de um futuro que nunca chega.

Em meio a situações aparentemente simples, um homem tenta conseguir uma informação. O que poderia ser uma conversa comum acaba se transformando em uma sequência de gestos, palavras, sons e silêncios.

A padaria funciona como uma representação da vida contemporânea, marcada pela pressa, pelas obrigações profissionais e pela busca constante por felicidade e realização.

Segundo Ritcheli Santana, criador e diretor da montagem, a encenação utiliza diferentes percepções do tempo para transformar acontecimentos cotidianos em experiências com novos significados.

A narrativa não segue necessariamente uma sequência cronológica. Passado, presente e futuro se aproximam, criando situações que convidam o público a refletir sobre os acontecimentos que marcam uma trajetória.

Libras integra a construção artística do espetáculo: Um dos diferenciais da produção está na utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como elemento da própria dramaturgia.

Na montagem, a comunicação visual não aparece apenas como recurso complementar de tradução. Ela participa da construção das cenas e dialoga diretamente com a palavra falada, os movimentos e os gestos dos artistas.

De acordo com Luan Vieira, idealizador do projeto, essa integração foi pensada desde o desenvolvimento da obra, fazendo da Libras parte fundamental da experiência teatral.

A composição também reúne elementos como iluminação, música, movimento, ritmo e recursos visuais. A intenção é permitir que cada espectador construa suas próprias interpretações a partir das experiências pessoais.

Pesquisa artística deu origem à montagem: “Um Instante” é resultado de uma investigação cênica desenvolvida ao longo dos anos por Ritcheli Santana. O trabalho começou com a cena curta “Philip Glass Compra Pão” e posteriormente ganhou novos desdobramentos em sua pesquisa acadêmica em Artes da Cena.

A montagem reúne diferentes linguagens para explorar aquilo que acontece nos pequenos intervalos da vida: encontros inesperados, lembranças, interrupções e decisões que podem mudar o rumo de uma história.

Para Julya Avila, idealizadora do projeto, a intenção não é entregar uma interpretação única ao público, mas criar uma experiência aberta a diferentes percepções.

A circulação pelo Festival Velha Joana, em Primavera do Leste, e pela mostra teatral em Lisboa representa uma oportunidade de apresentar essa pesquisa a públicos de diferentes contextos culturais.

A participação em Portugal conta com apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, por meio do Edital Mobilidades 2026 – Módulo I, que contemplou o projeto.

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