Brasil registra menor índice de homicídios desde 2012, mas bate recorde de feminicídios em Mato Grosso e no país
Enquanto a violência letal geral diminuiu, os casos de agressão doméstica, stalking e crimes contra mulheres e crianças dispararam no país.
O cenário da segurança pública brasileira revelou um contraste alarmante durante o ano de 2025, conforme apontam os registros consolidados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Enquanto o país contabilizou 40.775 Mortes Violentas Intencionais, o que representa uma retração de 8,2% na comparação com o ciclo anterior e a menor taxa desde 2012, outras formas de violência doméstica e de gênero experimentaram um avanço preocupante que desafia as autoridades e a sociedade.
Entre os dados mais graves divulgados, o feminicídio alcançou o patamar mais elevado da série histórica. Foram 1.571 mulheres assassinadas exclusivamente em razão de sua condição de gênero ao longo de 2025, assinalando um acréscimo de 4% frente ao ano anterior. Paralelamente, os registros oficiais computaram 286.270 episódios de agressão decorrentes de violência doméstica, além de quase 790 mil ameaças direcionadas ao público feminino em todo o território nacional.
A escalada dos abusos também se manifestou de maneira intensa contra o público infantojuvenil. As estatísticas indicam 38.986 ocorrências de maus-tratos contra crianças e adolescentes no período, expressando um salto de 14,6% ante 2024 e uma alta superior a cem por cento em relação a 2021. Desse total, quase seis em cada dez vítimas tinham entre zero e nove anos, evidenciando que o ambiente doméstico, que deveria servir como refúgio, tem se tornado o principal palco de hostilidades.
Outro indicador que demanda profunda atenção refere-se aos crimes de natureza sexual, que somaram 84.388 casos de estupro e estupro de vulnerável em 2025. Deste montante global, 77% das vítimas eram menores de 14 anos, sendo que mais da metade dos agressores identificados nessa faixa etária pertencia ao próprio núcleo familiar. Especialistas apontam que tais números evidenciam a urgência de políticas estaduais e federais voltadas não apenas à punição tardia, mas à identificação precoce dos sinais de risco.
Diante desse panorama, entidades de proteção e especialistas reforçam que o combate à criminalidade exige uma rede integrada envolvendo polícias, judiciário, ministério público, assistência social, saúde e educação. A prioridade estabelecida para os próximos anos consiste em interromper os ciclos de violência psicológica, ameaças e perseguições antes que atinjam o estágio fatal, transformando estatísticas em vidas preservadas no estado e em todo o país.















