Acusados pela morte de advogado Renato Nery vão a júri popular em Cuiabá

Por Everton Plinio Martiny • 06/05/2026 19:31 661 acessos
Acusados pela morte de advogado Renato Nery vão a júri popular em Cuiabá

Quatro acusados de participação no assassinato do advogado Renato Gomes Nery, ex-presidente da OAB-MT, foram pronunciados pela Justiça e irão a júri popular em Cuiabá, Mato Grosso. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (6) pelo juiz João Bosco Soares da Silva, após análise das provas reunidas pela investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de Mato Grosso.

Segundo a decisão judicial, os réus Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira, Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi responderão por homicídio qualificado por motivo torpe, mediante pagamento, uso de meio que gerou perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. O processo também mantém a acusação de organização criminosa, além do agravante relacionado à idade da vítima, que tinha 72 anos quando foi morta.

Com a pronúncia dos acusados, o caso seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri. A data da sessão ainda não foi definida pela Justiça de Mato Grosso.

Na decisão, o magistrado destacou que existem provas da materialidade do crime, incluindo laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, boletins de ocorrência e depoimentos colhidos durante a investigação. O juiz também apontou que há indícios suficientes de autoria para que os acusados sejam submetidos ao julgamento popular.

Os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira ainda vão responder por fraude processual qualificada e abuso de autoridade. Conforme o Ministério Público, ambos teriam atuado para dificultar o andamento das investigações.

Renato Gomes Nery foi baleado em julho de 2024, quando chegava ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. De acordo com a Polícia Civil, o atirador já aguardava o advogado no local e fugiu em uma motocicleta após efetuar os disparos.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima caminhava em direção à entrada do escritório, foi atingida pelos tiros e caiu no chão. O advogado morreu um dia depois do atentado. O sepultamento ocorreu em Cuiabá, em 7 de julho de 2024.

As investigações apontam que o crime teria sido motivado por uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras em Novo São Joaquim. Segundo o inquérito, os empresários Julinere Goulart Bentos e Cesar Jorge Sechi teriam encomendado o homicídio mediante pagamento de R$ 200 mil.

Ainda conforme a apuração, os policiais Ícaro Nathan Santos Ferreira e Jackson Pereira Barbosa teriam atuado como intermediários entre os mandantes e os executores do assassinato, participando da articulação logística, fornecimento da arma e movimentação financeira ligada ao crime.

Em março deste ano, a Polícia Civil informou ter rastreado R$ 215 mil relacionados ao suposto pagamento pela execução do homicídio, após quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça.

A investigação identificou uma sequência de transferências financeiras consideradas suspeitas. Segundo os investigadores, os valores passaram por contas de terceiros para ocultar a origem e o destino final do dinheiro, em um possível esquema de lavagem de dinheiro.

A polícia detalhou que uma transferência de aproximadamente R$ 200 mil teria sido realizada em março de 2024 pela empresária apontada como mandante do crime. Parte do valor foi usada para compra de veículo registrado em nome de terceiros, enquanto outras quantias foram destinadas a familiares e investigados envolvidos no caso.

Conforme a Polícia Civil, depoimentos colhidos durante o inquérito ajudaram a confirmar a dinâmica financeira usada para viabilizar o assassinato.

O assassinato de Renato Gomes Nery provocou forte repercussão em Mato Grosso por envolver um ex-presidente da OAB-MT e suspeitas de crime de mando ligado a disputa fundiária. O caso também ampliou o debate sobre violência relacionada a conflitos por terras e atuação de organizações criminosas no estado.

A investigação aponta uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre mandantes, intermediários e executores, cenário que reforçou a gravidade do caso perante a Justiça.

As autoridades seguem acompanhando o andamento do processo, enquanto o Tribunal do Júri deverá definir, nos próximos meses, a data do julgamento dos quatro acusados pela morte do advogado em Cuiabá.

Este conteúdo foi publicado originalmente por G1 Mato Grosso e foi adaptado para o padrão do Primavera do Leste Net.

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